Texto de Maria Nina Calado
O corpo estava lá estendido na cama, sem roupas e algemada no encosto da cama. Era uma menina de uns l3, 12 anos. Nem sinal de peito tinha. Ela reclamava de uns nós que aparecera. O policial, com trinta anos de serviço abaixou-se e "pediu a Deus pelas mulheres, pela vida, pelo pão". Com sua voz de trovão Falou: "Isso não fica assim não". Chamou Pereira, seu companheiro de serviço há quinze ano e disse: "Coloque dois ajudantes nas portas, ninguém entra, ninguém sai do recinto. Solta a menina primeiro e vê se ta viva"
Pereira se aproxima e sente um gemido de gato. De joelho na cama, soltas as algemas. Nem um movimento. "Pereira e as portas"? "Dotô eu não tenho o dom da bilocação, ou aqui ou lá, Vaca Braba já botou ordem no recinto. Não ouço som nenhum". Tá viva, mas pra lá do que pra cá mais ta respirando". Ficaram sabendo que ela estava há seis dias, fora amarrada por que recusou um cliente que queria fazer sexo anal com ela. As outras diziam que Mãezinha não perdoa e colocou ela ali, algemada, a porta do quarto aberta, entrava e usava quem quisesse.
Enquanto falava, ela disse que já tinham entrado no quarto 25 só no primeiro dia, e que no segundo dia Mãezinha mandou rasgar na pele dela a palavra puta. Assim como se faz com vaca. Ela gritou tanto que abafou o soar do sino. "Quer dizer que não adianta o corpo de delito" mas carrega a menina pra um hospital". Caiu um silêncio na casa como a noite gradativamente sobre a tarde. Mãezinha estava no seu escritório, casa chique, fachada de farmácia e acordo com os políticos mais votados da região.
Ele sabia que pelas vias legais não chegariam a lugar nenhum. Pediu licença, ela com uma austeridade ministerial falou: "Aqui tem lei, quando eu compro dos pais, eles já sabem que elas não podem recusar serviço. Talvez eu tenha exagerado no castigo. Te lembra daquela menina que hoje mora contigo, digna, mãe da tua única filha? É a cara dela não é? E o próximo passo é trazer tua filha praqui..." Ele estava tranquilo, sabia o que ia fazer. Mulher quando leva corno e fica sabendo é pior que cobra, enjaulada e com fome. "Tá certo, vencesse essa, mas minha mulher e filha tão em casa e tu maltratasse alguém igual a tu. Naquele tempo, tu tinha Ricardo, tu só encasquetasse comigo por eu tirei Maria Rosa da vida". "Foi, eu não quero que ela morra, eu quero que ela sofra tanto que fique com medo de homem como eu fiquei, você foi o último.
Eu me tranco no quarto com Geleia pra fazer cena, nos somos duas irmãs. Quando ela voltar vai encarar a mesma rotina, eu comprei ela. "Vai não!". Nisso ele ajustou a arma por baixo da mesa e disparou um tiro só. Mãezinha caiu sobre as planilhas de contabilidade e disse: "Ela sofre, sofreu da mesma vontade que eu tinha de um beijo, de sair dali... "Vaca. Gibão traz a doze". ''Mãezinha: vai mostrar sua segunda arma é ?" A doze chegou e ele disse a Gibão: "Tira a roupa dela". O sangue já cobria o chão da sala. "Deita ela ai, abre as pernas dela." Atirou com tanta alegria que ao ver as partes de Mãezinha decepadas, a esperança tomou-lhe o corpo todo, lembrou da mulher, da filhinha e pediu que limpassem tudo.
Ele era a autoridade e mandou enterrá-la há duzentos quilômetros dali. Onde estavam outros desafetos. Sentou numa calçada da rua vazia, o letreiro da "Farmácia" já estava apagado, aparece Pereira na viatura rodopiando, desce de salto e diz: "Ta viva dotô, ainda esta em estado de choque, vai emendar as partes, só não vai sair a marca que Mãezinha imprimiu na menina, "Puta". "Vamos ajudá-la, ela ainda vai ser feliz. A marca a gente procura um médico que faz Plástica. Ela será nossa mascotezinho, Como é o nome dela?" "Eumira do Socorro" "Que nome esquisito não é? Vou dormir de coração lavado. Foi que tinha de ser."