segunda-feira, 1 de março de 2010

Boto cor-de-rosa.

Texto de Maria Nina Calado

Ela estava olhando-se no quarto de epelhos, quando de repente sua imagem mudou em um bebê, minúsculo, com o pezinho preto e coberto de sangue. Ela aproximou-se o mais que pode e uma força descomunal tragou-a para um pátio de hospital. Lixeiros trabalhavam e um deles pegou a criança pra jogar na trituradeira.

Ela jogou-se em cima do trabalhador e tomou o bebê na palma da mão fechou e tentou fugir. Suja de sangue como estava o homem pegou-a e fez a trituradeira funcionar. Ela sentia os ossos se partindo como um liquidificador Moendo gelo. Fez um montinho de carne e osso e introduziu na vagina. Os médicos e enfermeiros que assistiram tudo, desceram imediatamente e socorreram a moça. Ela vive em coma. O bebbê nasceu, cresceu e vive no hospital. Todo dia ele enfia arame farpado pelo ânus da mãe. Ninguém ouve, ninguém vê.

Três meses depois ela sinalizou que ia parir e não deu tempo de receber ajuda médica e rasgou-se todinha e saíram seis golfinhos que imersos em toda água do hospital reproduziram uma menina linda, rizonha, calma e sonhadora, que permanecerá com eles até aparecer o boto cor-de-rosa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O perfume inebriante da Roseira Rosa.

Conto de Maria Nina Calado

A menina ia saltando paralelepipedos no meio da rua quando uma perua branca, empilhada de milicos, veio para ao seu lado. Desceu um oficial, que tinha estrelas até nas costas. "Que esta fazendo aí sozinha?" _brincando com meu amigão. O homem olhou não viu nada. A menina tornou a falar: "Olhe aí meu amigão". Surgiu um hipopótamo, chamado Hipo.

Ele foi comprimentar o milico, mas este foi se afastando, entrou no carro e disse: "Eu volto, crianças e animais não podem brincar em via pública". O hipopótamo deitou no colo da menina porque ela havia se interposto entre ele e o graduado. Prometeu guardá-la de todos os perigos.

Brincaram, brincaram e o homem da viatura voltou com mais 10 homens. Hipo levantou a cabeça e se pondo de pé puxou a menina pra trás dele. Os soldados invadiram a rua com pedaços de pau para agredir Hipo. Ele pegou a menina, a engoliu carinhosamente e só de uma pisadela amassou quatro e foi em direção ao Chefe.

Ele defendeu-se como pode, com espafas, estilingues, pedras mas Hipo pegou-o e triturou-o com seus dentes fortes. Conforme ele ia entrando, a menina ia saindo pela bunda de Hipo, brilhante, asseada. Os outros policis saíram de arrancada.

O Animal pegou a criança no braço e sentou-se embaixo de uma roseira rosa. Lá estava a caminhona dele. Deitou-se junto da menina e se distraíram com o perfume das rosas. Hipo falou baixinho: "Porque não podemos conviver e brincar na rua? Ela disse: "Somos diferentes na aparência e iguais no amor".

Dormiram e sonharam o mesmo sonho: Se casariam assim que ela crescesse e teriam 4 filhos. A roseira "baflorou" perfume inebriante, azulou e eles foram felizes para sempre.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fragmentos de Rita

Conto de Maria Nina Calado

É tão dificil dizer que não quer uma coisa que deseja. Tem de fazer de conta que não é você. Os outros se alegram e você também à força. Não mostrar que esta decepcionada. sempre mentiu para fazer tipo sabe? Um segredo maior que seu mundo tinha de continuar sepultado.

Passou o tempo, o pai já velho, variando das idéias, disse o que tinha feito com uma menina no passado e que três policiais estavam ali. Procuraram acalmá-lo e chamaram justamente a menina. Quase ninguem sabia. Desmoronou todo, o celeiro onde ela escondia os demônios em forma de cavalos, fugiram todos derrubando o que havia pela frente...

Ela juntou pedaço a pedaço, cobriu com uma camada áspera de cimento e tingiu com uma mão de cal. Comprou uma cruz e colcou bem no meio. Para os outros dizia que era um símbolo o TAO representando o tauísmo, os outros a olhavam e não a viam. Era forte. Na infância quando soube que tinha perdido um concurso de história em quadrinho, todo o seu sangue desceu para os pés.

Hoje perdeu um concurso sem quadrinhos, os balõezinhos se encheram de exclamações. Estava sozinha numa sala imensa, foi até a cozinha, pegou a faca mais amolada e cortou os dedos da mão direita. Está se esvaindo em sangue. Só precisa de um carinho. PRECISAVA.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O casamento

Texto de Maria Nina Calado

O casamento foi a festa mais luxuosa e bela que aquela pequena cidade já viu. Famílias conhecidas, os noivos eram amigos de infância. Quando ela fez 15 anos ele nem assuntou sobre noivado. Com a ajuda dos pais comprou um anel de ouro branco em formato de cobra.

A mãe dela não gostou nem um pouco. Na festa de noivado, ele passa por trás da futura sogra e disse: "O bonito é pra você. Olha aqui, brilhantes". Ele tomou-lhe a mão, a música soava alta, a sala estava cheia, ele tentou colocar o anel e ela resistia. Algumas pessoas já olhavam com olhos de cobiça. Ela serenou e permitiu que ele pusesse o anel.

O povo sempre enfeita as coisas mas, desta vez quase acerta. Ele namorava a menina mas esperava a mulher. No fim de dois anos as bodas foram realizadas com fogos, DJ convidado do exterior e a sociedade presente, achava aquilo tudo um luxo. Ele continuava a respeitar a moça e sexo só na lua-de-mel, dizia o pai, que era muito apegado a filha.

A menina era mimada mas de burra não tinha nada e desconfiava da mãe, mulher belíssima daquelas que só aparecem em cartazes de cinema. E vivia esfregando na cara da vizinhança seu amor e fidelidade ao marido. Finda a festa os noivos foram trocar de roupa. Seguiriam para a lua de mel na cidade dos anjos e ficariam hospedados em um hotel com detalhes em ouro na fachada. Depois viriam morar todos juntos por que a casa, era na verdade um suntuoso palácio.

Quando a jovem esposa foi trocar de roupa, o belo rapaz, casado há duas horas talvez, entrou no quarto da sogra. Ela estava em frente ao espelho se adorando. Acariciava aquele corpo quase hinabitável, pois o marido cumpria suas obrigações maritais de quinze em quinze dias. Ela queria mais, pois já tinha conhecido com o genro o sétimo céu.

Angustiado ele a tomou pelas costas e o pai da garota que também fora trocar de roupa, assistiu, mudo, a mais bela cena de sexo que havia imaginado. Eles não notaram a indesejável presença e trocaram carinhos, que, despertou o desejo levando-os a um orgasmo avassalador. Cansados e felizes, ela entrou no banheiro para se recompor e ele procurava a roupa quando viu o sogro.

Genro previu a reação do marido desolado e pensou que aquele momento de extremo prazer, o último de sua vida, o redimiria de todas as faltas e iria direto para o céu. O sogro se levantou, deu alguns passos e para sua surpresa, caiu de joelhos, agarrou-se a seus pés e chorando agradeceu por tudo que ele não sabia nem podia fazer mais.

O noivo levantou-o, acalmou-o com um carinho no rosto. Em segundos, a menina entra no quarto gritando que o carro havia chegado. Ela entrou nos aposentos da mãe e viu dormindo a mais pura das criaturas. O pai despediu-se da filha, abraçou o genro e dele ouviu: "Pode contar comigo. Agora somos só uma família." E o novo casal se foi, feliz, para a Lua de Mel.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Desesperança

Texto de Maria Nina Calado

Estamos à mesa meu amigo e eu. Diante de nós uma pizza enorme. As pessoas da casa saíram pra jantar e trouxeram o que sobrou pra mim e meu amigo.

É de causar espanto. O que sobrou foi muito, era quase a pizza toda. Passamos longo tempo olhando, sem acreditar. Até que eu peguei a faca e fui dividir a pizza. A lâmina passou perto dele e... fugiu.

Melhor assim porque eu como as sobras. Continuo comendo o que sobrou, sei que bem mais tarde ele vai voltar. Ele sim, vai comer o resto dos restos. Pela primeira vez.

Fiquei com dó, trouxe meu pedaço de volta. Não comi e coloquei o pedaço de volta ao prato para quando ele voltasse. Fui ao quarto trocar de roupa e quando voltei ao me aproximar da mesa, vi meu amigo deitado com a patinhas pra cima e a barriguinha cinza luzindo. Os olhos estavam fechados cerimoniosamente.

Entendi por que me deram tanto. Estava estragada, fria, deteriorada, sem gosto. É sempre assim. Eles prolongaram minha estadia nesse espaço agora vazio. Porque eu sou um borrão, traços esquecidos.

Quem sabe, encontro outro amiguinho que me faça esboço não apenas traços. Promessas sem decepção e que minha vida aqui seja um prolongamento, uma permanência e que eu tenha uma morte, "morte suave".

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fiz tudo por você.

Texto de Maria Nina Calado

O corpo estava lá estendido na cama, sem roupas e algemada no encosto da cama. Era uma menina de uns l3, 12 anos. Nem sinal de peito tinha. Ela reclamava de uns nós que aparecera. O policial, com trinta anos de serviço abaixou-se e "pediu a Deus pelas mulheres, pela vida, pelo pão". Com sua voz de trovão Falou: "Isso não fica assim não". Chamou Pereira, seu companheiro de serviço há quinze ano e disse: "Coloque dois ajudantes nas portas, ninguém entra, ninguém sai do recinto. Solta a menina primeiro e vê se ta viva"

Pereira se aproxima e sente um gemido de gato. De joelho na cama, soltas as algemas. Nem um movimento. "Pereira e as portas"? "Dotô eu não tenho o dom da bilocação, ou aqui ou lá, Vaca Braba já botou ordem no recinto. Não ouço som nenhum". Tá viva, mas pra lá do que pra cá mais ta respirando". Ficaram sabendo que ela estava há seis dias, fora amarrada por que recusou um cliente que queria fazer sexo anal com ela. As outras diziam que Mãezinha não perdoa e colocou ela ali, algemada, a porta do quarto aberta, entrava e usava quem quisesse.

Enquanto falava, ela disse que já tinham entrado no quarto 25 só no primeiro dia, e que no segundo dia Mãezinha mandou rasgar na pele dela a palavra puta. Assim como se faz com vaca. Ela gritou tanto que abafou o soar do sino. "Quer dizer que não adianta o corpo de delito" mas carrega a menina pra um hospital". Caiu um silêncio na casa como a noite gradativamente sobre a tarde. Mãezinha estava no seu escritório, casa chique, fachada de farmácia e acordo com os políticos mais votados da região.

Ele sabia que pelas vias legais não chegariam a lugar nenhum. Pediu licença, ela com uma austeridade ministerial falou: "Aqui tem lei, quando eu compro dos pais, eles já sabem que elas não podem recusar serviço. Talvez eu tenha exagerado no castigo. Te lembra daquela menina que hoje mora contigo, digna, mãe da tua única filha? É a cara dela não é? E o próximo passo é trazer tua filha praqui..." Ele estava tranquilo, sabia o que ia fazer. Mulher quando leva corno e fica sabendo é pior que cobra, enjaulada e com fome. "Tá certo, vencesse essa, mas minha mulher e filha tão em casa e tu maltratasse alguém igual a tu. Naquele tempo, tu tinha Ricardo, tu só encasquetasse comigo por eu tirei Maria Rosa da vida". "Foi, eu não quero que ela morra, eu quero que ela sofra tanto que fique com medo de homem como eu fiquei, você foi o último.

Eu me tranco no quarto com Geleia pra fazer cena, nos somos duas irmãs. Quando ela voltar vai encarar a mesma rotina, eu comprei ela. "Vai não!". Nisso ele ajustou a arma por baixo da mesa e disparou um tiro só. Mãezinha caiu sobre as planilhas de contabilidade e disse: "Ela sofre, sofreu da mesma vontade que eu tinha de um beijo, de sair dali... "Vaca. Gibão traz a doze". ''Mãezinha: vai mostrar sua segunda arma é ?" A doze chegou e ele disse a Gibão: "Tira a roupa dela". O sangue já cobria o chão da sala. "Deita ela ai, abre as pernas dela." Atirou com tanta alegria que ao ver as partes de Mãezinha decepadas, a esperança tomou-lhe o corpo todo, lembrou da mulher, da filhinha e pediu que limpassem tudo.

Ele era a autoridade e mandou enterrá-la há duzentos quilômetros dali. Onde estavam outros desafetos. Sentou numa calçada da rua vazia, o letreiro da "Farmácia" já estava apagado, aparece Pereira na viatura rodopiando, desce de salto e diz: "Ta viva dotô, ainda esta em estado de choque, vai emendar as partes, só não vai sair a marca que Mãezinha imprimiu na menina, "Puta". "Vamos ajudá-la, ela ainda vai ser feliz. A marca a gente procura um médico que faz Plástica. Ela será nossa mascotezinho, Como é o nome dela?" "Eumira do Socorro" "Que nome esquisito não é? Vou dormir de coração lavado. Foi que tinha de ser."

sábado, 7 de novembro de 2009

A história de Claudinei Thompson & Heleneide Priscinelli

Texto de Maria Nina Calado

Eram duas crianças iguais. Magricelos, cabelos escuros, lisos, bem liso. Estudaram junto desde o Jardim de Infância. A diferença é que crescendo, ela ganhou corpo, muitas curvas, reentrâcias e saliências que ele não se cansava de ver. Permanecera minúsculo.

Quando fizeram 17 ano, ficaram, mas não deu certo .Deram um tempo pra ele se desenvolver de acordo com a natureza. Já estavam com 19 anos quando ela resolveu prestar para Artes Cênicas e ele era técnico laboratorista. Analisava fezes, urina e sangue.

No dia em que ela entrou para a faculdade, fizeram uma festinha e ele levou um presente mas não permitiu que ela abrisse na frente dos outros. Mas tarde sozinhos, eles tentaram usar o membro robótico. O invento cumpriu seu papel, mas Claudinei Thompson, esse era o nome dele, só segurou a máquina enquanto Heleneide Priscinelli subia ao sétimo céu. Ela olhava a engenhoca com os olhos mais negros e brilhantes.

Ele enchendo-se de triteza, humilhação e raiva perguntou se ela queria mais. Ele pos toda a força que o segundo pênis tinha. Ela gritou, riu e ele queria botar aquele instrumento dentro dela para que ela risse pra ele, gritasse de prazer.

A brincadeira virou tragédia e uma mutidão se formou para linchar Claudinei. Alguém chamou a polícia e Thompsom virou o monstro do Engenho de Fora e Heleneide, a mártir. Quando a polícia chegou ele era um mulambo e ela estava numa maca acompanhada das rezadeiras. No auge do tumulto ela pediu a um policial pra falar com o indivíduo. Trouxeram ele todo amassado e ela puxando-o mais para perto enfiou a lingua na orelha dele e logo disse: Cadê a minhoquinha Thompinho. Se você morresse e voltasse outra vez vinha com uma rosquinha de maizena. Eu sou mulher pra macho e tu é quase um eunuco, T a m p i n h a.

Claudinei foi para um sela da delegacia do bairro e lá conheceu tdos os tamanhos e larguras e só fazia chorar: Eu sou macho, eu sou macho. Quando Heleneide ficou pronta pra outra procurou Sting Stanley, um frequentador de academias e chegaram a conclusão que 18cm em descanso e 25cm na ativa era a solução. E a "Garganta Profunda' recebeu pescoço de girafa, no mar, com as benções de Yemanjá e foram felizes para sempre.